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100% Tracção

Aqui falamos das tendências no sector da maquinaria para agricultura e para floresta. É o propósito desta plataforma abolsamia.

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A debulhadora de Gaeiras não é uma peça de museu

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Rui André Pereira é licenciado em Engenharia Agronómica pela Escola Superior Agrária de Santarém e leitor assíduo d’abolsamia.

Há uns tempos partilhou connosco a fotografia de uma debulhadora Tramagal que continua a trabalhar até aos dias de hoje na freguesia de Gaeiras, concelho de Óbidos.

Procurámos saber a história por detrás da máquina e o Rui explicou-nos o porquê de esta debulhadora ter sido conservada em boas condições e ainda continuar, campanha após campanha, ano após ano, a fazer a debulha.

“Acho que é por paixão mesmo” começou por nos dizer. “Além da paixão, a outra razão para a máquina estar em funcionamento até 2015, é que aqui na zona a orografia das terras não permite o trabalho em segurança de uma ceifeira-debulhadora convencional. E então as pessoas que foram mantendo alguma produção de outono-inverno, têm sempre recorrido a esta debulhadora estacionária”.

Não sendo uma peça de museu, como claramente não é, “a máquina foi sofrendo algumas ‘modernizações'. É o caso do elevador que transporta as paveias”, mas não só. “Também a antiga enfardadeira foi substituída por uma mais produtiva Welger AP 53 D”. “O trator que a faz mexer é um Hanomag, também com alguma idade creio que com um motor de 70 ou 75 cv”, explica-nos o Rui.

Mas afinal como é que a máquina chegou até aqui? “Há uns 40 anos talvez, foi comprada por um latifundiário da zona sul do concelho de Caldas da Rainha. Mas com os negócios a correrem noutro rumo, vendeu-a anos depois ao atual proprietário, meu tio-avô Raúl Simões, prestador de serviços agrícolas do concelho de Óbidos, pessoa estimadora que tem um parque de máquinas simples, mas sempre muito bem conservado, e que sempre serviu muitos agricultores”.

O trabalho da debulha não ocupa muitos dias: “Em 2013 tivemos quatro dias de trabalho, os outros dois anos cerca de três dias”. Para fazer funcionar o conjunto são precisas três pessoas: “Um trabalhador a dar ‘pão’ à máquina, um saqueiro, e um fardeiro”.

É sem esconder algum orgulho que o nosso leitor nos diz que, desde a campanha de 2012, faz parte da pessoal que dá vida a esta antiga debulhadora: “Trabalho como saqueiro e a dar pão ao bicho. É um trabalho duro e cansativo mas que gosto muito de aprender, para um dia mais tarde poder dizer eu também sei o que isso é". 

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À direita, Rui André Pereira alimenta a debulhadora. À esquerda, o saqueiro controla o enchimento dos sacos com o cereal.

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Enfardadeira Welger a trabalhar em modo estacionário. Ao fundo, um motocultivador com reboque carregado encontra-se na fila de espera.

7167.jpgAo fundo, pilha de fardos de palha pronta para transporte.

 

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